Mapa Topográfico - O que é? O que indica? Como utilizá-lo?

20/06/2011 16:04

Mapa Topográfico - O que é? O que indica? Como utilizá-lo?

 

Tanto na classe de Pesquisador quanto na especialidade de Orientação pede-se o seguinte:
Explicar o que é um mapa topográfico, o que se espera que ele indique e como deve ser usado. Identificar pelo menos vinte sinais e símbolos usados nestes mapas.

Existem mapas de diferentes tipos, que servem a diversos propósitos. Mapas topográficos são diferentes de mapas rodoviários, mapas políticos, mapas hidrográficos, etc. Um mapa topográfico é uma representação gráfica detalhada e precisa dos relevos naturais e artificiais.

Falando de um modo simples, os mapas topográficos te permitem ter uma visão tridimensional da paisagem sobre uma superfície bidimensional. Em acampamentos e trilhas são muito importantes para se determinar qual o caminho mais curto, qual o caminho menos cansativo, qual o caminho mais fácil, onde podemos encontrar fontes de água, entre outras coisas.

Estes mapas apresentam as seguintes características:
  • Área de representação
  • Escala
  • Curva de nível
  • Sistema UTM
  • Mapas adjacentes
  • Revisões
  • Longitude e Latitude
  • Declinação magnética
  • Legenda
Vamos falar um pouco sobre as principais características:
  • Área de Representação
Indica a área de abrangência do mapa e seus limites. Encontra-se na margem superior. Indica o nome do mapa. Nas extremidades das bordas, indica a latitude e a longitude extremas do mapa.
  • Articulação da Folha
Mostra o mapa atual e os que fazem fronteira a ele. Situa-se no canto inferior direito do mapa.
  • Revisões
Situadas no canto inferior direito do mapa, mostram a data do levantamento fotográfico e suas atualizações. Normalmente, os mapas topográficos não são atualizados com freqüência, e as rodovias, cidades, e outras construções no mapa podem ter mudado, ou até mesmo, nem existirem mais, dependendo de quando este mapa foi produzido.
  • Escala
A escala do mapa representa a relação entre cada unidade do mapa e o tamanho real. A escala mais comum encontrada nas cartas topográficas do Brasil é a de 1:50.000, que significa que cada 1 cm do mapa eqüivale a 50.000 cm (500 m) da realidade. As escalas são classificadas em:
  • Pequena – igual ou inferior a 1:500.000
  • Média – maior que 1:500.000 e menor que 1:50.000
  • Grande – igual ou superior a 1:50.000
  • Curvas de Nível
As curvas de nível conectam pontos de mesma elevação. Representam a topografia da região. As curvas de nível são eqüidistantes e representam altitudes específicas, de acordo com a representação de cada mapa. Curvas de nível mais próximas representam acidentes geográficos mais bruscos, como um penhasco. Curvas de nível mais distantes representam variações graduais e leves de altitude, como uma encosta pouco acentuada de uma colina.
 
 

Note que podem ocorrer enganos ao comparar o mapa topográfico ao real. Um acidente geográfico pode não ser representado pelo mapa topográfico, desde que sua altura seja menor que a eqüidistância das curvas de nível, ou seja, desde que esteja compreendido entre duas curvas de nível.
  • Legenda
Os mapas sempre apresentam uma legenda, que é a interpretação que deve ser dada ao símbolos que são encontrados neles. Esses símbolos são uma convenção, ou seja, possuem o mesmo padrão em todos os mapas topográficos no país. Portanto não é necessário decorar os símbolos, apesar de se tornar uma coisa natural com a prática.
 
  • Curvímetro
Existem dois tipos de curvímetro: um graduado em milímetros e outro graduado nas escalas mais comuns. Este último apresenta a mesma característica do escalímetro na leitura de distâncias no mapa, com a vantagem de se poder medir linha quebrada e em curva.

Para medir distâncias com o curvímetro, basta girar a roda dentada até o ponteiro coincidir com a origem da graduação e depois deslocar o curvímetro sobre o mapa, lendo no mostrador a distância percorrida.

Um ótimo substituto para o curvímetro é um arame flexível. Pinte-o conforme a escala do mapa, linhas vermelhas circundando o arame para as marcas de 500m e linhas azuis, para as marcas de 1000m. Coloque-o sobre o mapa, modelando-o sobre a trilha. Depois é só ler as distâncias. Também pode-se utilizar um barbante ou cordinha e uma régua.

Estes métodos não são muito precisos e sempre estimam distâncias menores do que as reais, pois não levam em conta as subidas e descidas do percurso (medem só o deslocamento horizontal).
     
  • Escalímetro
O escalímetro é uma régua graduada em diferentes escalas, facilitando a leitura de distâncias no mapa. Apresenta as distâncias diretamente na escala real, evitando assim a necessidade de cálculos. O escalímetro de seção triangular é o mais utilizado e facilmente encontrado. Caso a régua não possua a escala em que se está trabalhando, utiliza-se uma escala proporcional. Por exemplo, usa-se a escala de 1:25 e multiplica os valores por 10 para encontrar a escala de 1:250.
     
     
  • Cuidados com o Mapa Topográfico
É muito importante a preservação do mapa, pois não é muito agradável buscar auxílio nele e ver que a rota de volta para casa está transformada em uma mancha marrom-esverdeada. A maneira mais simples de proteger seu mapa é coloca-lo dentro de uma embalagem a prova d’água, como estes sacos para freezer. Pode-se ainda cobrir o mapa com contact transparente ou cobri-lo com spray ou tinta a prova d’água.

Uma alternativa para preservar seu mapa é digitalizá-lo e imprimir a área onde irá percorrer e depois planstificálo. Mas tenha cuidado para que a impressão tenha a mesma escala da original (mesmo tamanho), e que as bordas contenham as referências do sistema de coordenadas.
 
  • Dobrando o Mapa Topográfico
Não existe uma forma padrão para dobrar o mapa. O importante é que permita praticidade no uso. Ao lado está uma sugestão prática e eficiente.
 
  • Orientação “Mapa-Terreno”
O mapa nos traz informações úteis para a prática da orientação e navegação. Pode nos mostrar onde estamos e o caminho a seguir. É também eficiente para nos mostrar a distância a percorrer (ou percorrida) e é uma das ferramentas mais úteis no planejamento de expedições.Entretanto, não basta dominar o uso do mapa, bússola ou GPS. Deverá saber
colocar em prática as informações fornecidas por eles para saber escolher a melhor
rota a seguir. Isso você só adquirirá com muita prática.
     
    • Encontrando sua localização no mapa
Um mapa topográfico não terá muito utilidade a não ser que saibamos onde exatamente estamos localizados. Para se localizar no mapa, utilize um dos métodos a seguir:
  • Encontre marcas do terreno facilmente identificáveis no mapa (ex. rio, lago, encosta);
  • Localize-se sobre uma linha-base (um rio ou uma linha entre dois cumes);
  • Caminhe sobre esta linha-base até que possa identificar outra linha-base que interseccione a primeira. Assim, poderá localizar-se com grande precisão no mapa.
Normalmente as marcas de terreno não são tão grandes (ou evidentes) e acessíveis. Nesse caso:
  • Encontre três marcas confiáveis, preferencialmente uma à frente, uma à direita e outra à esquerda, para definir sua posição;
  • Gire o mapa até coincidir com a primeira marca de terreno visualizada.
  • Desenhe uma linha em direção a esta marca.
  • Repita a operação para as outras duas.
  • A intersecção entre as três linhas mostra sua posição com uma precisão razoável, dependendo de suas habilidades.
  • Estimando distâncias
Use seu mapa topográfico para estimar a distância de viagem, e os acidentes geográficos no caminho, para assegurar que se poderá terminar a viagem em um período seguro de tempo.

Crie um arquivo da trilha. Ele o ajudará no planejamento de sua jornada e servirá como guia para outros que, porventura, se aventurarem pelo mesmo percurso. Neste arquivo, desenhe um gráfico para marcar a distância e a altitude a serem percorridas. Utilize o curvímetro para desenhar a trilha no mapa e transcreva as informações obtidas para o gráfico. Assim, terá uma boa forma de acompanhar seu desempenho no trajeto e anotar informações úteis para próximas expedições.

Ler um mapa topográfico, isto é, conseguir visualisar o relevo representado pelas curvas de nível, exige treinamento, e pode ser facilitado desenhando-se perfis topográficos no mapa que se está lendo. Com treinamento estes perfis passam a ser feitos mentalmente e a compreensão do relevo se torna fácil. Abaixo temos uma demonstração desta prática de transformar curvas de nível em perfis topográficos.

Podemos encontrar cartas topográficas para várias cidades brasileiras em jpg e em pdf.

Uma característica muito importante dos mapas topográficos e que estamos deixando de lado, propositalmente, é a declinação magnética. Os mapas topográficos devem ser utilizados em conjunto com as bússolas. As bússolas são orientadas com o norte magnético, enquanto os mapas são orientados com o norte geográfico. A diferença entre eles é chamada declinação magnética. Esta declinação varia de acordo com a localização no globo e também varia anualmente. Por ser um pouco mais complexo, este assunto está sendo tratado neste post complementar.
 
 
Material compilado do site https://www.cantinhodaunidade.com